• Marcelly Chrisostimo

Bibliotecária Escolar no exterior: é possível?: Alguns aspectos a serem considerados



Muitas pessoas almejam conquistar muito dinheiro, jóias e carros... mas, o que eu queria mesmo era um passaporte tipo o da Glória Maria ou do Zeca Camargo. Quanto mais carimbos melhor. Bem, isso e umas panelas de fundo triplo que não gruda nada. Mas, isso é papo pra outro post.


Eu não conheço uma única pessoa que não goste de viajar. Nem que seja pegando um carro alugado no fim de semana e pondo o pé na estrada pra alguma cidade vizinha. Desculpe, se esse post pode se tornar um gatilho nesse momento de quarentena, mas, poucas coisas são tão prazerosas quanto o frio na barriga pré viagem. Talvez o primeiro beijo de um casal apaixonado...


A primeira vez que eu sai do estado em que nasci, o Rio de Janeiro, foi graças a Biblioteconomia e a Unirio. Minha família nunca teve o hábito de viajar, talvez por questões financeiras, ou mesmo culturais. O mais longe que eu havia ido tinha sido pra passar férias na casa de uma tia que tinha casa de praia ali na região dos lagos ou em Campos dos Goytacazes. E todas as vezes que eu ia, a vontade de conhecer novos lugares, aumentava.


Na graduação, tive acesso a possibilidade de ir a Encontros Estudantis Regionais e Nacionais - os famosos EREBDs e ENEBDs. O meu primeiro foi um em Pernambuco. A UNIRIO disponibilizou um ônibus para irmos. Foram 72 horas de estrada, a maior aventura da minha vida, até então - no auge dos meus 22 anos. Eu amei cada detalhe dessa viagem mucho louca. E a partir daí, comecei a querer conhecer novos lugares. Ainda não viajei tanto quanto gostaria e a lista de locais não para de crescer, mas, sou grata à Biblioteconomia por ter aberto meus horizontes, literalmente.


Após essa descoberta, eu comecei a pensar para onde mais biblio poderia me levar. E aliado ao fato de eu já estar estagiando em uma escola internacional e conhecer muitos professores expatriados, nasceu em mim o desejo de trabalhar no exterior.


O início das minhas pesquisas


Inicialmente, por ter muitas referências em Biblioteconomia Escolar americana, eu comecei a pesquisar sobre o que era necessário para trabalhar como school librarian ou teacher librarian nos Estados Unidos. Mas, antes, vou te explicar o que é teacher librarian.


Foto: Short Course Finder


As bibliotecárias em escolas internacionais tendem a ter um tempo fixo de aula na biblioteca com os alunos - principalmente da educação infantil e fundamental - e isso faz com que o papel educativo dessas bibliotecárias seja reconhecido como o papel de um professor seria. As aulas de biblioteca são vistas como uma aula de um professor/assunto especializado (specialist teachers - specials) assim como seria a aula de artes, música, educação física...


Nessas aulas, são ensinadas diversas coisas aos alunos como o desenvolvimento de suas competências em informação, isto é, apresentação de fontes confiáveis - e o ensino para que eles sejam independentes no processo de analisar, comentar, incorporar essas informações e fontes - assim como atividades como contação de histórias, fantoches, dedoche, empréstimo de livros e muito mais. Há um mundo de possibilidades e é possível ver claramente o impacto de um currículo de biblioteca ativo no desempenho acadêmico desses alunos.


Mas, voltando ao nosso tema de hoje: ao pesquisar os pré requisitos para trabalhar em escolas nos EUA, além do inglês, descobri que o recomendado era ter ao menos 3 anos de experiência em uma biblioteca escolar internacional (como a que eu trabalhava no momento), mestrado em biblioteconomia e certificado de proficiência em inglês.


Pensei comigo... quanto ao trabalho, só o tempo me dará a experiência, já que eu estou numa empresa que condiz com o objetivo. Precisava então passar no mestrado e investir no meu inglês. E assim o fiz. Tudo encaminhado até que algo que mudou minha vida aconteceu. Eu me apaixonei, noivei, casei... E decidi suspender esse plano por um tempo... Honestamente, eu não descarto essa possibilidade de trabalhar fora, mas, refiz meus planos, pretendo aumentar a família, enfim. É um pouco mais complexo mudar toda uma família de país do que só uma pessoa solteira. Mas, gostaria de compartilhar com vocês alguns dos aspectos que observei, informações que aprendi e que podem ajudar caso você deseje se aventurar também.


Quais aspectos devo considerar?


Formação Acadêmica exigida

A depender do país, podem ser exigidos documentos e certificados adicionais. Por exemplo, nos EUA, o comum é que biblioteconomia seja uma formação de pós graduação e não graduação como aqui no Brasil. Então, o mestrado em Biblio pode te ajudar.


Experiência Profissional

Como as escolas intercacionais possuem muitas vezes estrutura comum, independente do país em que está (curriculo, multiculturalismo...), além de haver muitos professores e diretores que já trabalharam em outras escolas e podem auxiliar na conexão com outros profissionais e instituições. Trabalhar em uma escola internacional no Brasil pode ser o primeiro passo dessas sua jornada.


Idioma

Você tem fluência em algum idioma? Invista nisso. Não necessariamente para ir para um país, é necessário falar o idioma local. Por exemplo, há escolas americanas na china... O idioma falado na escola americana é o inglês e o do país, o chinês. Se você for fluente em inglês e chinês, sua adaptação será facilitada, mas independente do país que escolher, te recomendo: fale inglês.


País - Localidade

O quão flexível você for com o local que está disposto a ir, mais chances terá de receber uma oferta. Recentemente, recebi uma proposta para uma vaga em uma escola americana na Índia. Eu não me candidatei, o recrutador me encontrou pelo Linkedin! Mas, honestamente, eu não me vejo morando na Índia, não sei se eu me adaptaria a diferença cultural, então, eu declinei a oferta. Os países como EUA ou países da Europa por apresentarem maior procura, podem ter um grau de exigência e competitividade para as vagas maior.


Diferenças culturais

Você se considera uma pessoa flexível? Está disposto a conviver com novas culturas no dia-a dia? Lembre-se que conhecer uma cultura como visitante é completamente diferente de vivenciar na sua própria rotina por um período longo.


Tempo de contrato

O mais comum nesses trabalhos é assinar um contrato válido por um ou dois anos, podendo ser renovável ou não. É preciso considerar isso, porque para um casal com filhos por exemplo, isso pode significar iniciar novamente o processo de busca por um novo emprego e mudança de país. Para pessoas resistentes as mudanças, essa pode não ser a vida ideal.


Por onde me candidatar?


Há algumas formas. Como eu disse acima, já recebi uma proposta sem nem ao menos ter me candidatado. Isso aconteceu porque existem empresas, profissionais e sites especializados em encontrar profissionais de ensino para essas escolas.


Você pode se candidatar por:

  • Agências de recrutamento;

  • Feiras internacionais;

  • Agentes de recrutamento;

  • Sites especializados;

  • Diretamente com a instituição.

Se interessou? Dê uma olhada nesses sites...


Linkedin - Se você ainda não possui um perfil/currículo atualizado por lá, está perdendo uma oportunidade de ser visto no mercado de trabalho não só internacional, mas, nacional também. Essa é uma possibilidade de acompanhar inclusive profissionais que já estejam atuando na empresa que você tem interesse. Conecte-se ao meu perfil no Linkedin aqui.


CIS - Council of International Schools - Essa é uma instituição importante para as escolas internacionais. Muitas delas são membros dessa associação e no site é possível conferir algumas. Acesse aqui.


Search Associates - Esse é mais um serviço do que um site de busca. Ao adquirir a assinatura (cerca de 450 dólares - válida por 2 anos), você ganha o direito de cadastrar seu currículo numa plataforma que recrutadores terão acesso, além de o direito de ir a uma das feiras que acontecem em todo o mundo e também o serviço de consultoria na elaboração das suas cartas de candidatura para cada vaga. Acesse aqui.


TES - International Teaching & Education Jobs - Site para busca de vagas em aberto. Acessse aqui.

TIE - Teach in International Schools Around the World! - Site para busca de vagas em aberto. Acesse aqui.


Association of American Schools in South America (AASSA) - Associação de escolas americanas na América do Sul. Acesse aqui.


Se você desejar saber mais sobre esse assunto, amanhã. quinta feira, dia 2 de julho, teremos uma live com a Isabela Queiroz, bibliotecária escolar brasileira atuando no México. A Live será as 18 horas, no perfil do Instagram da Mocinha da Biblio.

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