• Marcelly Chrisostimo

Captando recursos na Biblioteca Escolar



Não importa quantos projetos incríveis a sua cabecinha seja capaz de criar, se você não tiver o mínimo de recursos, eles serão só projetos.


Sabemos que em muitas instituições, a biblioteca não é a prioridade e acaba não recebendo investimentos suficientes para explorarmos todas as suas potencialidades. E apesar de isso não significar que o bibliotecário deva cruzar os braços e desistir, inevitavelmente isso o atinge. Desmotiva, dificulta o desempenho e limita as ideias e possibilidades.


Pensando nisso, hoje gostaria de conversar com vocês sobre alternativas para esse cenário. Vejam bem, não estou aqui dizendo que é fácil nem trazendo uma fórmula mágica. Mas, gostaria de compartilhar algumas alternativas que eu vejo e também pedir a vocês que compartilhem outras possibilidades que já tenham aplicado ou que enxerguem e que valham ser divulgadas.


Feira do Livro


Essa ideia é clássica. Eu diria que o clássico dos clássicos. Consiste basicamente em a biblioteca/escola fazer uma parceria com uma editora ou livraria. As condições variam, mas por exemplo, na escola em que trabalho, eu ofereço o espaço da biblioteca, fazemos o evento por uma semana e os alunos visitam a feira durante sua aula de biblioteca.


Eu faço todo um trabalho de divulgação entre professores, pais e alunos começando com uns 15 dias de antecedência e convido os pais para participarem também. Tomo o cuidado de alinhar a seleção de títulos com a empresa para evitar títulos inadequados para o público alvo.


Como benefício, em geral, as empresas me oferecem de 10 a 15% do arrecadamento total da feira em títulos de seu catálogo. Essa é uma ótima forma de garantir que sempre tenhamos títulos atuais e novinhos para os alunos e de aproximar os pais da biblioteca, pois, eles ficam felizes ao ter um profissional os orientando e auxiliando quanto às escolhas com seus filhos. No final, todo mundo fica feliz.

Para escolas públicas, apesar de eu não conhecer os trâmites, há a possibilidade de apresentar um projeto junto à Lei de Incentivo à Cultura. Para títulos em inglês, aqui no Rio de Janeiro, eu tenho parceria com a Jamer Books and Things e em português, conto com a maravilhosa curadoria e parceria da Casa Verde Livraria - e que também possui uma distribuidora de livros e consegue preços ótimos! (Capital dAs Letras Distribuidora).


Parcerias com Editoras


Se tem uma coisa que eu aprendi na gestão foi a ser cara de pau. Principalmente em se tratando de um título específico. Representantes de editoras são ótimos parceiros se você souber negociar. Muitos ainda nem conhecem o nosso trabalho e tentam abordar os professores diretamente. Mas, apesar de insistentes, podem te render bons brindes e amostras pro seu acervo. Eu geralmente os envio solicitações e peço descontos e brindes por e-mail disponibilizado no site mesmo.

Já recebi muitos títulos importantes e caros para análise e com isso, consegui realocar o investimento desse recurso para outra demanda.


Produtos da Biblioteca


Eu não sei vocês, mas, eu sou a louca do lápis de museus. Não há a possibilidade de eu ir à um museu ou biblioteca e não passar na lojinha. Inclusive, o meu preferido é o da Pinacoteca e já está até ficando pequeno de tanto que eu uso. Alô SP, vou ter que voltar aí! E se a sua biblioteca investisse em produtos oficiais como lápis, canetas, blocos de notas, chaveiros, bichos de pelúcia (biblioteca escolar), marcadores de livros especiais, ecobags, cartelas de adesivos e, em alguns casos, até camisetas? O céu é o limite para a imaginação. Essa é uma opção que precisaria de um orçamento inicial para confecção dos produtos, mas, se tiver a autorização da direção, há a possibilidade de confeccionar poucas unidades para divulgação e à medida em que os pedidos forem chegando, você pode encomendar mais.


Cursos para público externo


Mais uma vez, se a sua escola permitir...

Você já pensou que a sua biblioteca pode ser palco para cursos, workshops que atenderiam não só aos pais, mas a outros pais? Essa poderia ser uma ponte de visibilidade para a escola e a sua biblioteca enquanto gera recursos para serem reinvestidos.

Oficinas de encadernação, contação de histórias (quantos pais gostariam de aprender a contar histórias para seus filhos, mas não sabem por onde começar?), escrita criativa... Você pode ainda propor parcerias de professores que tenham outros conhecimentos e oferecer um calendário com cursos e oficinas dos mais variados seguimentos.


Sebo da Biblioteca


Se a sua escola permitir, já pensou em um sebo?

Eu recebo sempre muitas doações de títulos duplicados, antigos e que não necessariamente se encaixam no meu acervo. Mas, muitos, são títulos em bom estado. Uma ideia é fazer um sebo a preços simbólicos como 3 e 5 reais e usar o dinheiro arrecadado para comprar novos títulos e materiais para a biblioteca. Deixe claro para todos os objetivos e preste contas à sua direção para evitar problemas. Acredito que o sebo teria mais sucesso entre os funcionários do que os alunos, mas, vale a tentativa.


Serviços gráficos (Xérox, Digitalização, Impressão)


Na escola em que eu trabalho, essa não é uma possibilidade já que há um departamento específico para isso. Mas, sei de bibliotecas que oferecem esse serviço.

Se for uma biblioteca mista, principalmente, é possível cobrar por esses serviços (com autorização da chefia).

Honestamente, não sou muito a favor, pois acredito que desvia um pouco a função e a atenção do bibliotecário para com o público. Mas, fica a critério de cada profissional adaptando à sua própria realidade.


Multas por atraso


Tem uma razão de eu ter deixado essa por último. Eu detesto multas. Detesto a ideia de punir um aluno, leitor em formação por ter esquecido seu livro em casa e temo que isso possa afastá-lo da biblioteca e da ideia de pegar novos títulos para empréstimo num futuro. Também acho que essa cobrança pode afastar os pais.

Sou a favor de cobrar somente quando o livro é perdido ou danificado, rasgado. E só essa cobrança já dá uma dor de cabeça tão grande que eu sinto pelas minhas colegas que são obrigadas a cobrar multa em suas respectivas bibliotecas. Mas, não há como negar que essa cobrança pode gerar uma renda consistente mês a mês. A depender da política da escola, esse dinheiro pode ser utilizado para reinvestir na biblioteca também. Converse com sua gestão.


E aí? Qual outra possibilidade de captação de recurso você enxerga e que não está nessa lista?

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