• Marcelly Chrisostimo

Diário de Bordo na Biblioteca Escolar



"Ahhh, se eu fosse marinheiro!"


Brincadeiras, à parte, o Diário de Bordo é originalmente um instrumento de controle de navegação onde é possível registrar todas as intercorrências da viagem.


Aqueles registros importantes, adaptações que precisaram ser feitas, mudanças de rota... A-há!


Sou comandante do navio Biblioteca que navega por esse MAR de informações... Hahaha, que brega, eu sei. Mas, não resisti. Brincadeiras à parte, quero que você pense sobre o uso desse instrumento de registro na biblioteca...


Vocês sabem que eu costumo dizer que sou contra a ideia do bibliotecário como "detentor do conhecimento". Você muito provavelmente conhece pelo menos um bibliotecário que não compartilha o que sabe por medo da "concorrência"... Esse perfil de profissional acredita que o conhecimento é algo em escassez, teme que ao compartilhar, sua atuação não seja mais valorizada ou necessária. Ela precisa que as pessoas precisem dela.


Mas, o meu convite à vocês é que vocês vejam por uma outra perspectiva. Eu acredito que o conhecimento é algo inesgotável e que à medida em que compartilhamos, mais ele cresce. Para nós e para os outros porque temos a oportunidade de trocar ideias e de absorver as contribuições daqueles que nos ouvem. Eu não preciso que as pessoas precisem de mim. Eu preciso que elas se sintam motivadas a compartilhar comigo para que eu possa aprender com essa troca! E onde o Diário de Bordo entra nisso? Ele entra quando temos o entendimento de que não somos insubstituíveis e que um dia não estaremos mais ali.

Suponhamos que você trabalhe em uma biblioteca por toda a sua vida, 20, 30 anos. Quando você sair, você deseja que as pessoas comecem tudo de novo ou que elas desenvolvam a partir do ponto que você deixou? Qual o sentido de deixar que todo o trabalho de uma vida se perca? É pra frente que se anda, então, vambora! O diário de bordo...


A primeira vez que ouvi esse termo foi na Universidade, na aula do nosso presidente do CFB, Marcos Miranda que na ocasião ministrava a disciplina de CDU. Ele além de ministrar as orientações para aprendermos a classificar segundo o código, nos recomendou a manutenção de um diário de bordo para registro das mudanças nas regras de acordo com a necessidade.


Ora, somente recém formados tem a pretensão de utilizar os códigos ipsis literis. Eu acredito que os códigos são apenas ferramentas para nos AUXILIAR e que adaptações precisam ser feitas e são bem vindas em prol da comunidade em que estamos inseridos.


O que costuma acontecer é que as pessoas fazem essas alterações porque fazem sentido na cabeça delas somente. Isso é um problema? Depende.


As outras pessoas da equipe estão cientes dessas adaptações?

Se você sair da instituição hoje. Seu sucessor entenderá as adaptações? Fará sentido pra elas?


Tudo isso pode ser minimizado com a criação de um diário, um documento de registro para as mudanças que forem realizadas quanto à catalogação, classificação e indexação principalmente.


Criando o seu diário...


  • Data - Diário sem data não é diário, certo?

  • Medida/adaptação implementada - Se quiser, pode também descrever a razão para cada decisão.

  • Início e término da atividade - Eu recomendo que vocês escrevam ainda deixando claro os prazos de início e fim de cada uma dessas adaptações no acervo.

  • Documento acessível - Certifique-se de que esse documento está acessível aos membros de sua equipe e talvez até à sua gestão para que ele não se perca com sua aposentadoria ou caso você saia da instituição. Eu gosto da ideia de manter um Google Doc.


Mas, me conta. Você mantém um Diário de Bordo?

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