• Marcelly Chrisostimo

Metodologias Ativas e a Biblioteca Escolar

A partir dos projetos de lives da Mocinha da Biblio, tive e tenho tido a oportunidade de conhecer muitos bibliotecários desse Brasil varonil. E a partir dessas novas relações, tenho observado principalmente as especializações e formações desses profissionais. Foi quando tive meu primeiro contato com o termo "Metodologias Ativas".


Tive vontade de escrever sobre isso, mas, como não sou especialista no assunto, convidei a bibliotecária Patrícia Bezerra, pós graduanda em Metodologias Ativas para elaborar um post colaborativo comigo. Originalmente, a ideia era criar esse conteúdo para o Instagram. Solicitei a Pat que escrevesse um texto resumido e bem introdutório sobre Metodologias Ativas e eu elaboraria uma arte para compartilharmos. Mas, cheguei a conclusão de que esse conteúdo é muito bacana para ser restrito ao insta, então, vamos compartilhar por aqui também.


Esse é um post elaborado em colaboração entre Marcelly Chrisostimo e Patrícia Bezerra.


"Se eu tivesse que resumir metodologias ativas em poucas palavras, diria apenas que ela baseia-se na aprendizagem ativa, ou seja, possui o aluno como protagonista de seu aprendizado. Se você faz parte da área de educação, principalmente, não tem como ficar alheio a esse assunto, né?


Tudo mudou, o mundo avançou, mas o sistema de ensino tradicional parece ainda prevalecer nas escolas, em sua grande maioria: alunos em fileiras, com um sistema de aprendizado passivo, isto é, apenas recebendo informação compartilhada por um professor. Isso para não citarmos os sistemas de avaliação do aprendizado que serve apenas para fazer parte de um protocolo da escola e, muitas vezes, não conseguem medir o real aprendizado do aluno.


Moran (2015, p. 18) afirma que “As metodologias ativas são ponto de partida para avançar para processos mais avançados de reflexão, de integração cognitiva, de generalização, de reelaboração de novas práticas”, dessa maneira, o aluno é colocado no centro de sua aprendizagem, tendo seu senso crítico aguçado e dentro da perspectiva de colaboração, ele será incentivado a elaborar soluções para problemas baseados na realidade.


Mas, como incorporar a metodologia ativa à prática?


Muitos profissionais e escolas resistem às metodologias ativas. Talvez por medo de não serem mais necessários? Se os alunos ocuparem o lugar de protagonistas, muitos podem se perguntar: qual o papel dos professores e educadores nesse processo, então?


O conhecimento e experiência dos educadores os permite serem orientadores nesse processo. Isso não os torna menos importantes, muito pelo contrário, pois, se no ensino tradicional, era necessário realizar adaptações para acomodar alunos com dificuldades, no que tange as metodologias ativas, isso se torna muito mais evidente. E, por isso, os educadores precisam estar conscientes de sua importância no processo de ensino aprendizagem.


Você conhece a Pirâmide de Glasser?

Fonte: Renatho Siqueira via Medium.


A pirâmide de William Glasser apresenta as formas de melhor assimilação e aprendizado. As 4 primeiras formas (ler, escutar, ver e ouvir) referem-se às formas passivas de aprendizagem e as 3 últimas (conversar, perguntar, repetir...; escrever, interpretar, traduzir, revisar...; explicar, resumir, estruturar, definir, generalizar...) às formas ativas.


É possível observar que à medida em que desenvolvemos um papel mais ativo (base da pirâmide), nossa capacidade de assimilação e aprendizado cresce. Isso acontece porque quanto mais ativos, mais espaço para a capacidade de construir o nosso próprio conhecimento temos. E é importante observar que esse papel ativo envolve troca ativa.


As metodologias ativas na escola (e na BE)


As metodologias ativas de ensino-aprendizagem podem ser as mais variadas, que vão desde o conhecido Storytelling (Que não é a simples narração de história, mas, sim a história utilizada como forma de levar o engajamento dos alunos, trazer eles ao interesse sobre o assunto) à gamificação.


E por gamificação não falamos apenas de jogos frívolos desafio-recompensa, mas, de jogos que incentivem a construção do conhecimento. E jogos de perguntas e respostas não atendem a essa necessidade, pois para ser considerado uma metodologia ativa, é necessário que o jogo em si traga a proposta de uma aprendizagem ativa.


Há ainda estratégias como a sala de aula invertida, onde, o aluno é instigado a buscar em casa um conhecimento específico, para que na sala de aula, ocorra a "aprendizagem ativa, onde há perguntas, discussões e atividades práticas" (VALENTE, 2018, p.29). O ensino maker também é considerado uma metodologia ativa, uma vez que o criar, fazer, permitem o protagonismo do aluno.


É bem verdade que tendo em vista o ensino tradicional, a inserção das metodologias ativas representam uma mudança de paradigma, por vezes, radical.

Há casos em que os pais e responsáveis apresentam resistência à possibilidade de seus filhos aprenderem brincando. E é possível ainda ouvirmos comentários negativos a respeito da proposta.


Para que a inserção de metodologias ativas seja eficaz, há a necessidade de transicionar a mentalidade da comunidade cuja escola abrange. E isso inclui professores, pais e alunos também. Cabe à escola, promover a abertura à essa nova realidade, mas, não somente isso, o transicionamento da mente e de posicionamento vem da instrução e do acesso ao conhecimento. Com isso, o apoio da escola à sua equipe de educadores durante o processo de implementação das metodologias ativas vai além do incentivo à formação continuada. Os desafios são muitos e é preciso que os educadores se sintam amparados pela instituição para que as estratégias apresentem um bom desempenho no ensino aos alunos.


Algumas referências:


BACICH, Lilian; MORÁN, José (Orgs.). Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora: Uma Abordagem Teórico-Prática. Porto Alegre: Penso, 2018.


FRANCO, Max. A jornada do aprendiz: storytelling e metodologias ativas na educação. São Paulo: Unitá, 2018.


MORÁN, José. Mudando a educação com metodologias ativas. In.: SOUSA, Carlos Alberto de; MORALES, Ofelia Elisa Torres (Org). Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens. Ponta Grossa: PROEX/UEPG, 2015. v.2, p. 15-33. E-book. Disponível em http://www.youblisher.com/p/1121724-Colecao-Midias-Contemporaneas-Convergencias-Midiaticas-Educacao-e-Cidadania-aproximacoes-jovens-Volume-II/. Acesso em: 10 dez. 2018. Coleção Mídias Contemporâneas - Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações...



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