• Marcelly Chrisostimo

O mito e medo da inovação


Eu não sei vocês, mas, sempre que eu ouço falarem sobre inovação, eu visualizo algo super-hiper-mega-ultra tecnológico.


Quase que um transformer me dizendo: seja bem vinda à biblioteca com uma voz metálica.


Fonte da imagem: AdoroCinema


Imagino que essa seja uma herança dos muitos filmes de ficção científica que eu já assisti. Mas, a verdade é que inovação não necessariamente deveria significar aparelhos de última geração. Vamos falar um pouco sobre isso? Afinal, o que é inovação? É de beber? É de comer? Como já é de costume, pesquisei o significado da palavra tema desse nosso post: inovação.


Inovação

substantivo feminino

1. Ato ou efeito de inovar.

2. Aquilo que constitui algo de novo.

3. Desenvolvimento e uso de novos produtos, métodos ou conceitos.

Disponível em: Priberam.


A inovação no mercado de trabalho


No ramo empresarial e mercado de trabalho, ouvimos falar sobre inovação tecnológica em prol da competitividade. A ideia é que as instituições encontrem ou introduzam um diferencial para se destacar em relação aos "concorrentes".


E a teoria Marcellyana completamente desprovida de dados científicos é que todo esse "incentivo" a competitividade e à inovação pode gerar um distanciamento e até trava. Trava porque fazer algo novo demanda criatividade e estar aberto ao novo e diferente do "sempre foi assim". Esse processo nem sempre é fácil e rápido. Na verdade, é um processo lento e muitas vezes desafiador.


Mas, o que quero questionar aqui é sobre a busca desenfreada pela inovação. Vamos usar como exemplo a criação de conteúdo na internet, um perfil no Instagram. Possuo amigos que fazem trabalhos incríveis e que seria maravilhoso caso compartilhassem. Mas, muitos deles, acreditam não haver espaço para eles porque não "tem criatividade" para trazer algo inovador. Eles acreditam que já há muitas pessoas falando sobre o assunto desejado e que como não tem uma super hiper mega ultra ideia mirabolante, não há espaço para suas próprias vozes.


Eu enxergo aqui duas questões importantes.


1) A criatividade não é um dom concedido a seres iluminados. A criatividade é uma habilidade e assim como todas as outras habilidades, pode ser desenvolvida e praticada. É necessário exercitar.


2) Ainda que existam muitas pessoas oferendo o mesmo serviço, falando sobre um mesmo assunto, ninguém o faz como você. Ninguém possui o seu jeito de falar, sua personalidade, sua história e conhecimento. E é aí que está o seu diferencial. Não se limite porque o que você tem a oferecer, não será possível encontrar em nenhum outro lugar.


3) Entenda que o erro faz parte do processo. Respeite o seu próprio tempo sem se culpar ou diminuir. Ressignifique seus erros. Eles te levam para mais próximo dos acertos e te mostram uma nova forma de não fazer.


Tendo isso em mente, eu vos pergunto: é preciso mesmo inovar para conseguir resultados? É preciso mesmo fazer algo extraordinariamente diferente na sua biblioteca para que os seus alunos queiram estar ali? Ou, a solução é mais simples do que parece? A verdade é que o seu primeiro projeto, atividade de mediação ou evento pode não ser como planejado. Pode não ser o grande sucesso que você deseja. Mas, isso não quer dizer que você não tem um dom ou é um profissional ruim. Isso apenas quer dizer que há espaço para melhorias. Deu errado? Ótimo! Você aprendeu uma forma de como não fazer. Analise friamente e planeje diferente para próxima vez.


E a medida em que você vai praticando e ganhando experiência, novas ideias vão surgindo, você vai adquirindo novas habilidades, e quando se der conta, estará fazendo algo "inovador".


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