• Marcelly Chrisostimo

O novo "normal": descobertas sobre o empréstimo de ebooks pela biblioteca escolar.

Atualizado: Mai 16

"Quando tudo voltar ao normal..."

Você também já se pegou dizendo isso? Planejando como será sua volta ao trabalho quando “tudo voltar ao normal”. As configurações de “normal” foram atualizadas. O que conhecíamos como normal antes da pandemia não existe mais. Nós mudamos. O mundo mudou. E a forma como desempenharemos nossos trabalhos precisará mudar também. Na verdade, já tem mudado... Frequentemente me pego pensando sobre o futuro das bibliotecas. Há sites, diretrizes focados em preservação e em sobre como garantir a segurança e a não proliferação do vírus através dos livros. Medidas precisarão ser tomadas como quarentenar os livros, uso de EPI para os profissionais que manusearem e etc... Recomendo a página da IFLA (International Federation of Library Associations). Mas, tenho pensado aqui sobre o como NÃO estamos preparados (na maioria das realidades) para atender às novas demandas. Isso não é uma crítica, eu me incluo nesse pacote. E acredito que, em parte, isso se deve ao fato de não sabermos exatamente como os acontecimentos se desdobrarão. Como nos preparar para algo que não sabemos exatamente o que é? Pela experiência internacional, há razões para acreditarmos que a saída da quarentena será feita de forma gradual. No caso da escola em que eu trabalho, há alguns cenários sendo cogitados. Eu imagino um sistema híbrido com funcionários em rodízio, parte remotamente, parte presencial... não sei exatamente como. Afinal, quem realmente sabe? Isso tem me feito refletir sobre as coleções digitais. E não estou falando somente em uma ou outra base de dados ou daquele jornal para acesso digital. Estou falando sobre finalmente desenvolvermos coleções de e-books para complementar nosso acervo físico. E aí entramos em um terreno controverso, complicado e ainda em desenvolvimento… e que eu particularmente, ainda preciso estudar muito sobre para me sentir segura.


Foto via Good-e-reader

Daí, visualizo nossa realidade brasileira aqui. Quais são as nossas opções? Existem estudos suficientes para políticas de empréstimo de e-books para bibliotecas? Existem fornecedores suficientes que ofereçam esse serviço de forma eficiente e centrada no empréstimo por biblioteca? Sendo bibliotecária de uma escola internacional, ainda me vejo tendo que conciliar as demandas internacionais e entender o cenário nacional. Mas, eu vou conseguir. As editoras também precisam se adaptar. Os bibliotecários precisam se adaptar. Tenho entrado em contato com algumas editoras, fazendo orçamentos. Confesso que ao final do dia, me sinto completamente exaurida. São tantas reuniões online, logins e senhas de degustação, orçamentos para atender às necessidades dos professores e alunos, levantamentos e listas de títulos que preciso disponibilizar em ebook - e algumas somente não oferecem essa opção… Ufa! Esse é só um desabafo de uma bibliotecária se reinventando em meio a quarentena.


Eis o que já consegui aprender até aqui sobre os ebooks:

  • Os ebooks podem estar em diferentes formatos. Eles podem ser .ePUB, .MOBI, .AZW, AZW3, .IBA, .PDF, .LRS, .LRF, .LRX, .FB2, .DJVU, .LIT, .RFT... S.O.S! (brincadeira, esse não tem ainda não...) Se você quiser entender um pouco mais sobre cada um dos formatos, sugiro que leia este artigo de website.

  • Não necessariamente é necessário ter um e-reader, para acessar um ebook. Obviamente, isso depende do formato que o livro está disponibilizado e também os formatos compatíveis com o seu dispositivo, mas, na maioria das vezes, é possível utilizar seu computador e até mesmo seu celular para ler um livro digital.

  • Disponibilizar um ebook enquanto biblioteca não é a mesma coisa de comprar um ebook como pessoa física. Não é tão fácil como abrir o link da Amazon, clicar, comprar e integrar ao próprio dispositivo.

  • É preciso ter uma plataforma que disponibilize o acesso. Muitas vezes, a própria empresa responsável pelo software da biblioteca também oferece livros digitais, sendo uma opção prática, porém nem sempre econômica.

  • As editoras tendem a criar suas próprias plataformas e tentar vender assinaturas para que possamos acessar a esses conteúdos. Geralmente, esses conteúdos não se resumem apenas a livros digitais, mas, também incluem conteúdos de apoio para planejamento de aulas e etc. E você pode imaginar o quanto isso deve encarecer essas assinaturas.

  • Existem diversos tipos de licença. Há fornecedores que estabelecem contratos onde ficam disponíveis um número x de acessos e empréstimos e após atingir esse número estabelecido, o livro não fica mais disponível e é necessário adquirir uma nova licença. Nesses casos, você precisaria de mais de um exemplar para cada aluno por vez. E esse é um conceito difícil de fazer com que nossos usuários entendam.

  • Há licenças de uso único - quando você consegue emprestar um livro por vez para um único aluno - e licenças de múltiplos acessos - quando é possível emprestar o mesmo título para vários alunos ao mesmo tempo. Essas costumam ser boas opções para os livros adotados para leitura conjunta como os paradidáticos.



Foto de Marten Bjork via Unsplash.


Eis o meu plano.


Meus últimos dias tem sido absolutamente de agenda lotada de reuniões, orçamentos, emails, contas e mais contas...


Basicamente, estou fazendo um levantamento de todos os materiais que possam ser necessários para suprir o currículo de forma digital. Na escola em que eu trabalho, nós, como escola, compramos os livros que serão lidos em sala de aula, incluindo os didáticos e emprestamos esses livros aos alunos.


Imagine que para cada departamento ou área do conhecimento, eu elaborei uma lista dos materiais utilizados, organizei por editora e entrei em contato com cada uma delas para investigar se as mesmas oferecem algum tipo de plataforma digital com suas obras. Some a isso, emails e mais emails de dados de login, senhas e acessos temporários para degustação, análise e também reuniões por videoconferência com esses fornecedores para tirar as dúvidas e conhecer as plataformas mais a fundo.


Para uma escola internacional, esse processo abrange pelo menos inglês, português, francês e espanhol. Isso sem contar o suporte às outras áreas do conhecimento. Ontem, na Live Bibliotecários Escolares, disponível no meu Instagram, eu e Tathi Amaral inclusive falamos sobre a oportunidade que é vivenciar uma transformação informacional mundial e aprender com ela. Não é fácil, não é simples, mas é necessário.


Esse é só o início. Estamos todos em transformação, tentando descobrir meios de oferecer os melhores serviços possíveis, com os recursos que temos. Um passo de cada vez e chegaremos lá!

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