• Marcelly Chrisostimo

O Processamento Técnico na Biblioteca Escolar: o caminho do livro até a mão do aluno


O processamento técnico é muito mais complexo do que possa parecer.


Na verdade, acho que nenhum usuário/aluno tem dimensão da quantidade de disciplinas de Representação Descritiva que precisamos cursar na graduação em Biblioteconomia. Só na UNIRIO, que é onde eu estudei, eram ofertadas 5 disciplinas sobre catalogação, dessas, 3 eram obrigatórias e 2 optativas… isso sem mencionar as de linguagens documentárias e construção de tesauros (que dão a base para a indexação) e outras 4 de organização do conhecimento e sistemas de classificação (CDD, CDU...)!!!! Mas, como eu sempre digo, na prática, a teoria é outra!

Foto via Unsplash.


Ter recebido toda essa bagagem de conhecimento teórico durante a graduação me ofereceu as ferramentas necessárias, mas a vivência no dia a dia da biblioteca evidenciou a crença de que cada biblioteca é ÚNICA! Em se tratando de processamento técnico na biblioteca escolar, eu acredito que MENOS é MAIS! Então, tento ao máximo simplificar os processos. Em parte, para facilitar a ambientação e recuperação das informações pelos alunos, e em parte para agilizar as etapas já que minha EUquipe é composta por mim e eu mesma. Minhas dicas são baseadas na minha experiência, ok? A cada dia mais, percebo que não necessariamente existe certo ou errado de forma absoluta, mas sim, o que é funcional e sustentável para cada realidade.


Comecemos pelo começo:

O que é o processamento técnico?


Simplificando, o processamento técnico consiste nas etapas de cuidado e tratamento dos materiais bibliográficos desde sua chegada na biblioteca até de fato estar disponível para empréstimo aos usuários. Esse processo consiste em subetapas a depender da biblioteca, seus objetivos e tipologias, porém, há algumas etapas comuns à maioria delas.


Tendo em vista a minha realidade, considero as principais subetapas a catalogação, indexação, classificação e etiquetagem. Irei aqui, falar sobre algumas dicas que me auxiliam e que eu gostaria de ter tido contato desde o início da minha jornada.



SEJA COMO DANIELA: mantenha um diário!


Chame como quiser, mas crie um documento para registrar suas decisões quanto à adaptações que você vier a fazer tanto na catalogação quanto na classificação. Os manuais e guias estão ali para estabelecer um padrão, mas, frequentemente, adaptações precisam ser feitas para melhor atender à necessidade e demanda da sua biblioteca. E tá tudo bem. Desde que você encontre um meio de registrar e consultar isso posteriormente e não confiar na sua memória.

Sabe aquela decisão que você tomou porque fez mais sentido na hora?

O óbvio precisa ser dito. Talvez não faça sentido para alguém da sua equipe ou para seu sucessor.


Desculpe te informar, mas, você não é imortal e muito menos insubstituível. Proporcione as ferramentas para que seu trabalho seja continuado.


DEFINA SUAS REFERENCIAS: mesmo que algumas pessoas não as entendam.


O mundo precisa de referências. Quem não tem referências, acaba não se familiarizando com o grupo. As referências geram conexão e identificação. Capitão América sentiu isso na pele.

Você vai catalogar, classificar e indexar com base em que? Na sua vaga recordação sobre o que aprendeu na faculdade? Com base no conteúdo que talvez esteja disponibilizado na internet? Quais são as referências? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Como bibliotecários, sabemos que precisamos buscar as fontes confiáveis e oficiais. E nesse caso, para cada uma das etapas do processamento técnico, indico que você adote um. Não existem somente os que eu utilizo. Essas foram as minhas escolhas a partir da minha realidade, mas sinta-se livre para buscar as que melhor se adequem à sua necessidade.


AACR2 - Código de Catalogação Anglo Americano. Comprei a minha cópia pessoal ainda na faculdade através de uma compra em grupo com a FEBAB. A turma toda se uniu e fez um pedido em conjunto. Infelizmente, no momento, não há como encomendar. Porém, a boa notícia é que a FEBAB voltará a disponiblizar em breve. Essa é uma informação que eles deram por comentários em um post no Instagram do @biblioconcurseiros. Fique de olho às páginas oficiais da FEBAB se você deseja comprar uma cópia.

Se você tiver pressa, talvez consiga comprar um exemplar usado na Estante Virtual ou em grupos de Biblioteconomia no Facebook.



DDC Abridged (CDD Condensada) - Tenho a CDD Condensada editada pela OCLC (Online Computer Library Center). Não consigo me ver sem ela durante a classificação.

Foi uma das minhas primeiras compras para a biblioteca que estou montando. Eles oferecem o serviço digital também, mas, em relação ao custo x benefício a longo prazo, achei mais válido comprar uma cópia impressa pois terá uma durabilidade maior e não precisaria renovar a licença digital anualmente e estar suscetível a investir uma parte do meu orçamento por isso.


SEARS LIST - O SEARS List é onde eu consulto os termos que utilizarei na indexação. Ele nada mais é do que um vocabulário controlado com indicações de termos a serem utilizados seguindo um padrão que evite duplicidades nas entradas do sistema. Comprei a minha cópia nova pela Amazon. (clique aqui para comprar a sua).


Uma coisa para ter em mente é que manuais, códigos e afins são ferramentas de trabalho para a equipe da biblioteca. Eles devem ser considerados materiais necessários para compor e montar uma unidade. Apesar de caros, eles não são custos fixos, pois uma CDD ou tesauro pode e deverá durar anos a fio.

A realidade é dura e indigesta. Muitas vezes eles podem custar senão boa parte, quase que o orçamento total da biblioteca num ano inteiro. Mas, algumas coisas são como são. E precisamos falar do que é o ideal. Na minha cabeça, não faz sentido investir em materiais para toda a comunidade e apoiar o trabalho deles e não incluir quem possibilita isso: você e sua equipe!


Você não precisa necessariamente comprar novos. Minha CDD comprei usada e me atende muito bem, obrigada. Além disso, se não for possível comprar todos de uma vez, se programe para comprar aos poucos. Pense nesses materiais como bens duráveis! E nos benefícios a longo prazo. Planejar custa menos do que corrigir.


É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO: A importância do trabalho colaborativo e das trocas feitas por comunidades.

A cada dia, fica mais claro para mim que o compartilhamento e o fortalecimento de comunidades é a melhor estratégia para nosso crescimento. Mas, nem todo mundo se dá conta de que podemos aplicar isso as etapas do Processamento Técnico também.⠀⠀⠀⠀ Exemplo disso é a força do formato MARC 21, o protocolo Z39.50... essas são apenas algumas das ferramentas que podem auxiliar o catalogador a tirar algumas de suas dúvidas que possam vir a surgir durante o processo de catalogação. Eu sou fã e uma usuária ativa de catálogos colaborativos. A maioria dos títulos que catálogo está em inglês, então acabo preferindo usar uma fonte internacional, mas existem alternativas nacionais também. Eis alguns deles:


Worldcat.org - O meu queridinho! O Worldcat é um catálogo mundial criado pela OCLC. Atualmente, conta com cerca de 71 mil bibliotecas públicas e privadas ao redor do MUNDO! Em 2009, a cifra de registros bibliográficos atingia os 150 milhões em 470 idiomas.

Eu simplesmente amo a OCLC. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos e é considerada a maior cooperativa de bibliotecas, museus e arquivos do mundo.


Classify OCLC - Não satisfeita em me salvar e tirar dúvidas quanto à catalogação em inglês, a OCLC lançou um serviço experimental de classificação na CDD.

Quero lembrar a vocês que a definição da notação de classificação não é algo automático, mas, precisa ser flexibilizado e adaptado a cada biblioteca, coleção e etc. Maaaaaaaaaaaaaaaaas, observar esse catálogo ajuda, ajuda sim, principalmente quando estou numa dúvida cruel!


Biblioteca Nacional - A BN disponibiliza alguns catálogos para pesquisa, mas, eu recomendo em especial o Catálogo de Autoridades.

Utilizo bastante para normalizar as entradas dos autores na minha base de dados.


Catálogo Coletivo Nacional - O CCN é mantido pelo IBICT (Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia). Uma seguidora muito simpática quem me indicou ele, inclusive. Essa é uma opção para pesquisa de periódicos. Como eu não possuo periódicos avulsos na minha biblioteca, somente bases de dados online, não utilizo muito. Mas, fica aqui a minha recomendação.


Assim como montei o meu conjunto de referências para o processamento técnico, sugiro que você mais do que copiar e colar e usar as mesmas, dedique um tempo a pesquisar, avaliar e buscar as melhores opções para você. Você é a melhor pessoa para definir o melhor caminho.




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