• Marcelly Chrisostimo

Representatividade preta na biblioteca escolar: sugestões para compor um acervo antirracista


Na última terça feira, dia 2 de junho de 2020, foi possível observar um movimento nas redes sociais chamado #BlackoutTuesday.


Basicamente, pessoas ao redor do mundo postaram imagens de um quadrado preto em forma de apoio ao protesto da pauta antirracista que o assassinato de George Floyd em Minneapolis, EUA, suscitou nas últimas semanas.

Fonte da imagem: PNG Cool

O problema é que o movimento acaba confundindo e causando desinformação, de certa forma. Como é possível ler nesse artigo aqui: Blackout Tuesday: artistas e fãs fazem apagão nas redes, mas homenagem atrapalha ativistas. A verdade é que precisamos avaliar se estamos aderindo algo por pressão do coletivo ou se realmente compreendemos a causa da pauta. Não devemos lutar por uma causa somente quando é trendy, mas precisamos que a justiça, o respeito e os direitos de todos sejam preservados em todo o tempo. Que não precisemos de mais Georges Floyds, Marielles, Andersons, Douglas e tantos outros cidadãos. Racismo e preconceito matam e precisamos sim falar sobre isso. Mas, não porque é o assunto do momento, mas porque é o certo.


Longe de mim, querer descredibilizar a necessidade de refletirmos e fazermos algo para que o racismo acabe. Mas, comecei a me perguntar de que forma, eu, como criadora de conteúdo em biblioteca escolar poderia contribuir.


Eu verdadeiramente acredito que a desconstrução começa em nós. Em avaliar de que forma eu utilizo o meu privilégio branco, por exemplo. E de que forma eu utilizo o acesso, influência e conhecimento que possuo para contribuir.


Como alguém que é veementemente contra o desarmamento e a favor da educação, faço uso dos livros para entrar nessa luta. Nós, como bibliotecários, temos uma poderosa ferramenta em nossas mãos: garantir que a coleção e o acervo fale por nós, chegue a lugares que não chegaremos.


Lembro como se fosse hoje, da minha primeira experiência em uma biblioteca escolar privada. Eu era estagiária, inocente e no auge dos meus 19 anos, observei muito os primeiros dias naquele estágio que parecia um sonho. Algo começou a me incomodar, mas, eu não sabia bem como perguntar... Até que um dia, me incomodou tanto que eu tomei coragem e perguntei com toda a vergonha do mundo: "A escola não aceita crianças pretas?" - eu perguntei absolutamente de ouvir que não e ter que pedir demissão de um estágio que eu estava amando... E a minha chefe da época, com toda delicadeza do mundo, respondeu: "Claro que sim, mas, infelizmente, essa é uma questão social e cultural." e isso ficou ressonando na minha cabeça. Em alguns anos ali, se eu tive 5 alunos pretos foi muito. Quantos alunos pretos você possui? Você possui referências pretas? Quantos autores pretos constam na lista da sua biblioteca? Há livros sobre representatividade preta no seu acervo? Há histórias com protagonistas pretos? Os seus alunos pretos se sentem representados através do seu acervo? Os títulos que temos são só pra cumprir a lei de que o currículo precisa incluir a cultura afrobrasileira e indígena nas escolas? Consulte a lei aqui.


Irei neste post, fazer sugestões de alguns títulos para compor o acervo da biblioteca escolar Não somente títulos sobre a questão do preconceito ou racial, mas títulos onde as personagens principais sejam negras. Esse é só o começo, não basta comprar todos os livros e deixá-los pegando poeira na estante. Promova esses títulos, promova os autores, medie essas leituras e se possível, tente relacionar seus projetos às discussões de temas em história, ciências sociais, artes. Abra a janela da colaboração e deixe as ideias entrarem!



Sugestões de títulos para a Educação Infantil:


Contos de sacisas - José Roberto Torero (LINK)

E se os contos de fadas mais famosos do mundo fossem protagonizados por… sacisas? Prepare-se para conhecer a Sacinderela, a Pererenzel e muitas outras! O protagonista deste livro leva um susto enorme quando sai para caçar sacis e acaba deparando com… uma sacisa! A partir daí, ele começa a descobrir histórias incríveis vividas por elas ― tem a Sacinderela, a Pererenzel e até a Bela Sacisa Adormecida ―, alguma soa familiar? Que comprovam que só tem medo de saci quem nunca deu de cara com uma sacisa.De forma criativa e cheia de humor, José Roberto Torero transforma as protagonistas de alguns dos contos de fadas mais populares do mundo em figuras divertidíssimas do folclore nacional.



Amoras - Emicida (LINK)


"Na música “Amoras”, Emicida canta: “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”. E é a partir desse rap que um dos artistas brasileiros mais influentes da atualidade cria seu primeiro livro infantil e mostra, através de seu texto e das ilustrações de Aldo Fabrini, a importância de nos reconhecermos no mundo e nos orgulharmos de quem somos — desde criança e para sempre.


O Pequeno Príncipe Preto - Rodrigo França (LINK)


Em um minúsculo planeta, vive o Pequeno Príncipe Preto. Além dele, existe apenas uma árvore Baobá, sua única companheira. Quando chegam as ventanias, o menino viaja por diferentes planetas, espalhando o amor e a empatia.


O texto é originalmente uma peça infantil que já rodou o país inteiro. Agora, Rodrigo França traz essa delicada história no formato de conto, presenteando o jovem leitor com uma narrativa que fala da importância de valorizarmos quem somos e de onde viemos - além de nos mostrar a força de termos laços de carinho e afeto. Afinal, como diz o Pequeno Príncipe Preto, juntos e juntas todos ganhamos.

Meu crespo é de rainha - Bell Hooks (LINK)


Publicado originalmente em 1999 em forma de poema rimado e ilustrado, esta delicada obra chega ao país pelo selo Boitatá, apresentando às meninas brasileiras diferentes penteados e cortes de cabelo de forma positiva, alegre e elogiosa. Um livro para ser lido em voz alta, indicado para crianças a partir de três anos de idade - e também mães, irmãs, tias e avós - se orgulharem de quem são e de seu cabelo 'macio como algodão' e 'gostoso de brincar'. Hoje em dia, é sabido que incontáveis mulheres, incluindo meninas muito novas, sofrem tentando se encaixar em padrões inalcançáveis de beleza, de problemas que podem incluir desde questões de insegurança e baixa autoestima até distúrbios mais sérios, como anorexia, depressão e mesmo tentativas de mutilação ou suicídio. Para as garotas negras, o peso pode ser ainda maior pela falta de representatividade na mídia e na cultura popular e pelo excesso de referências eurocêntricas, de pele clara e cabelos lisos. Nesse sentido, Meu crespo é de rainha é um livro que enaltece a beleza dos fenótipos negros, exaltando penteados e texturas afro, serve de referência à garota que se vê ali representada e admirada


Caderno de rimas do João - Lázaro Ramos (LINK)

Caderno de rimas do João é o primeiro livro do autor e ator Lázaro Ramos publicado pela Pallas Editora. O menino João encanta os leitores com rimas espontâneas e temáticas diversas. Ele nos apresenta, de um jeito divertido, os assuntos de um modo mais colorido. Além do texto escrito por Lázaro Ramos, O livro conta com as ilustrações do renomado Mauricio Negro. Uma combinação que só podia dar certo! Venha você também se encantar com as rimas do João!


Caderno de rimas da Maria - Lázaro Ramos (LINK)

Lázaro Ramos, ator muito conhecido de todos, se aventura em mais um livro infantil. Neste título chamado Caderno sem rimas da Maria, o autor se inspira em sua filha, inventa e ressignifica palavras e, nesta brincadeira, mostra que a liberdade da leitura nos faz viajar para lugares muito distantes.








A Mãe que Voava - Carvalho Caroline


A pequena Alice gostava de assistir à mãe, que voava pela casa. Lá do alto da escada a mãe parecia voar junto com os pássaros, poderia mesmo tocar o céu.


Menina bonita do laço de fita - Ana Maria Machado (LINK)

Uma linda menina negra desperta a admiração de um coelho branco, que deseja ter uma filha tão pretinha quanto ela. Cada vez que ele lhe pergunta qual o segredo de sua cor, ela inventa uma história. O coelho segue todos os “conselhos” da menina, mas continua branco.







Rosa - Rosa Parks - Gabriela Bauerfeldt (LINK)


A coleção BLACK POWER apresenta biografias de personalidades negras que marcaram época e se tornaram inspiração e exemplo para as novas gerações. Os textos simples e as belas ilustrações levarão os pequenos leitores a uma viagem repleta de fatos históricos e personagens que se transformaram em símbolo de resistência e superação.


Esta obra conta a trajetória de Rosa Parks, mulher que, depois de ser presa por ocupar um assento de ônibus reservado para pessoas brancas, deu início ao clamor popular que acabou com a política racista no transporte público dos Estados Unidos.


Essa Coleção Black Power possui ainda outros títulos como Mandela, Martin Luther King, Carolina Maria de Jesus... Se puder, adquira a coleção complelta!!


O Cabelo De Cora - Ana Zarco Camar; Taline Schubach (LINK)

Quanto o assunto aparência surge na roda de meninos e meninas é sinal que em pouco tempo uma opinião inocente pode virar uma crítica implacável como só as crianças sabem fazer. Peso, altura, e um simples penteado fora do padrão podem causar problemas se a criança não possuir a autoestima de Cora. Cora é uma menina como as outras, que adora ir à escola e é bastante orgulhosa do seu cabelo. Ele não é liso como o das outras meninas. É crespo como o de sua Tia Vilma e sua avó. Mas talvez O cabelo de Cora não pareça tão belo para suas colegas e ela pode precisar de um empurrãozinho para aprender a amá-lo de novo e a dizer para todo mundo o quanto ele é bonito do jeito que ele é. Cora descobre que seu cabelo é a sua marca. Ela tem cabelo crespo. Você tem cabelo liso. Divirta-se com a história de Cora e faça de sua diferença sua exclusividade.


A cor de Coraline - Alexandre Rampazo (LINK)


Selo Seleção Cátedra 10 Unesco de leitura - 2017 Finalista do Prêmio Jabuti 2018 na categoria Infantil e Juvenil Coleção Orgulho de ser eu (desde pequenx) Coraline ouviu de Pedrinho a pergunta que achou difícil: me empresta o lápis cor de pele? Aí começou a aventura da menina que fica indagando qual seria a cor da pele. Ela olhou todas as cores de sua caixa de lápis. Pequena, tinha apenas doze. Coraline repassou todas as cores e descobriu maravilhada que cada cor de pele é bonita, cada cor tem uma razão, cada cor significa uma pessoa, um jeito de ser. De cor em cor, ela percebeu que não importa o tom de pele, todos são iguais. E então também soube que linda é a cor de sua pele. Assim, Alexandre Rampazo mostrou a diversidade e a unidade deste mundo. As cores não servem para diferenciar, mas para tornar tudo mais belo. Imagine a monotonia de um mundo cheio de gente de uma cor só? A beleza é a multiplicidade. Daria para Rampazo fazer meninos e meninas com todas as cores do mundo? Ignácio de Loyola Brandão



Sugestões de títulos de Ficção Juvenil:


O ódio que você semeia - Angie Thomas (LINK)


Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro contra o racismo em tempos tão cruéis e extremos Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.Não faça movimentos bruscos.Deixe sempre as mãos à mostra.Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente.Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.


Fantasma: Ele corre para salvar a própria vida... - Jason Reynolds (LINK)

Correr é algo que Fantasma sempre soube fazer, mas nunca levou muito a sério. Afinal, seu maior sonho era ser jogador de basquete e, quem sabe, entrar para o livro dos recordes. Até que, certo dia, ele disputa uma corrida contra um dos melhores atletas de uma equipe que está treinando na pista de atletismo do parque. E vence. O técnico percebe que aquele garoto tem talento de sobra e quer que o menino entre para sua equipe de qualquer jeito. O problema é que Fantasma também tem muita raiva e um passado que tenta desesperadamente deixar para trás. Um passado que exerce sobre ele uma força destrutiva que pode impedi-lo de dominar seu dom e achar seu verdadeiro lugar no mundo.


Finalista do National Book Award de 2016 na categoria de literatura jovem, Fantasma é o primeiro volume de uma série sobre um grupo de corredores com vidas e personalidades muito diferentes que encontram no esporte sua grande chance de vencer, mas que antes precisarão provar muita coisa não só aos outros, como também a si mesmos.


O chinês americano - Gene Luen Yang (LINK)


Primeiro álbum de quadrinhos a ser indicado ao Nacional Book Award, um dos mais prestigiosos prêmios literários do mundo, O chinês americano narra três histórias paralelas. Numa delas, um jovem imigrante chinês, vivendo nos Estados Unidos, tenta se adaptar à nova realidade escolar. Rejeitado pelos colegas ocidentais, Jin Wang se vira como pode em meio a provocações, ao isolamento e à ignorância generalizada quanto à cultura de seu país. Porém, a súbita paixão por uma garota da classe obriga Jin a mudar de postura, com resultados nem sempre satisfatórios. Na segunda história, um estudante americano recebe a visita de seu primo Chin-Kee, um sujeito inconveniente que é o acúmulo dos piores estereótipos do povo chinês. Todos os anos, a visita de Chin-Kee é motivo de constrangimento para Danny, que ao fim de cada temporada do primo se vê obrigado a trocar de escola e a começar sua vida novamente. E para amarrar essas duas narrativas, o autor reinventa uma antiga lenda chinesa: nas mãos de Gene Luen Yang, a tradicional história do Rei Macaco que, ao ser rejeitado pelos deuses, decide renegar a própria natureza e tornar-se um homem, ganha uma roupagem moderna, surpreendente e original.



Monstro - Walter Dean Myers (LINK)


Monstro conta a história de Steve Harmon, um adolescente indiciado por roubo seguido de homicídio. Walter Dean Myers alterna trechos do diário de Steve com episódios de seu julgamento, narrados em forma de roteiro. O livro mostra como uma única decisão pode mudar toda nossa vida.










Sugestões de títulos em Não Ficção:


Pequeno Manual Antirracista - Djamila Ribeiro (LINK)

Neste pequeno manual, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em onze capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. Já há muitos anos se solidifica a percepção de que o racismo está arraigado em nossa sociedade, criando desigualdades e abismos sociais: trata-se de um sistema de opressão que nega direitos, e não um simples ato de vontade de um sujeito. Reconhecer as raízes e o impacto do racismo pode ser paralisante. Afinal, como enfrentar um monstro desse tamanho? Djamila Ribeiro argumenta que a prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas. E mais ainda: é uma luta de todas e todos.


Lugar de Fala - Djamila Ribeiro (LINK)


A intenção da coleção Feminismos Plurais é trazer para o grande público questões importantes referentes aos mais diversos feminismos de forma didática e acessível.


Com o objetivo de desmistificar o conceito de lugar de fala, Djamila Ribeiro contextualiza o indivíduo tido como universal numa sociedade cisheteropatriarcal eurocentrada, para que seja possível identificarmos as diversas vivências específicas e, assim, diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala. (edição revista em parceria com a Pólen Livros)



Mulheres, raça e classe - Angela Davis (LINK)

Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, é uma obra fundamental para se entender as nuances das opressões. Começar o livro tratando da escravidão e de seus efeitos, da forma pela qual a mulher negra foi desumanizada, nos dá a dimensão da impossibilidade de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Além disso, a autora mostra a necessidade da não hierarquização das opressões, ou seja, o quanto é preciso considerar a intersecção de raça, classe e gênero para possibilitar um novo modelo de sociedade. Davis apresenta o debate sobre o abolicionismo penal como imprescindível para o enfrentamento do racismo institucional. Denuncia o encarceramento em massa da população negra como mecanismo de controle e dominação. Dessa forma, questiona a ideia de que a mera adesão a uma lógica punitivista traria soluções efetivas para o combate à violência, considerando-se que o sujeito negro foi aquele construído como violento e perigoso, inclusive a mulher negra, cada vez mais encarcerada. Analisar essa problemática tendo como base a questão de raça e classe permite a Davis fazer uma análise profunda e refinada do modo pelo qual essas opressões estruturam a sociedade. A discussão feita por ela sobre representação foge de dicotomias estéreis e nos auxilia numa nova compreensão. Acredita que representação é importante, sobretudo no que diz respeito à população negra, ainda majoritariamente fora de espaços de poder. No entanto, tal importância não pode significar a incompreensão de seus limites. Para além de simplesmente ocupar espaços, é necessário um real comprometimento em romper com lógicas opressoras...


Quarto de despejo - Carolina Maria de Jesus (LINK)


O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela.


A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.







Racismos: Das Cruzadas ao século XX - Francisco Bethencourt (LINK)


Revolucionário em seu escopo cronológico e espacial, este livro traz a primeira análise histórica abrangente e compreensível do racismo ― um fenômeno relacional, que sofre alterações com o tempo e não pode ser compreendido em sua totalidade através de estudos segmentados de breves períodos, de regiões específicas ou de vítimas recorrentes. Nesta obra de fôlego, o renomado historiador Francisco Bethencourt mostra as formas de racismo que precederam as teorias de raça, observando-as no contexto de hierarquias sociais e condições locais. O argumento é de que a prática discriminatória, em suas várias modalidades e aspectos, foi sempre provocada por projetos políticos de monopolização de recursos.

O foco de Racismos é o mundo ocidental, mas o autor também propõe comparações com tipos de segregação presentes em outras regiões do mundo. Ao provar que não há uma tradição constante de racismo, Bethencourt amplia nossa compreensão das relações interétnicas e contribui para o fim da história deste preconceito.


Dicionário da escravidão e liberdade: 50 textos críticos - Vários Autores (LINK)


Para comemorar criticamente os 130 anos da abolição da escravidão, cinquenta textos dos maiores especialistas no tema. Um panorama abrangente de como a escravidão se enraizou perversamente em nosso cotidiano.

"A meia centena de ensaios concisos que Lilia Moritz Schwarcz e Flávio dos Santos Gomes reuniram neste volume, com título e intenção de ser um dicionário temático, mostra a grande quantidade de faces que compõem o que é um poliedro em movimento. Cada um desses textos convida a novos textos, a novas pesquisas, a aprofundamentos, a novas comparações e a contestações.

Não faltam neste livro parágrafos sobre a espera, a busca e a obtenção da liberdade. Sobre a liberdade como antônimo de escravidão, mas que com ela coexiste para a ela se opor. Se estes ensaios nos dizem que o passado é sem esperança de conserto, eles não nos deixam esquecer que não há sombra sem luz."- Do prefácio de Alberto da Costa e Silva.


Eu sei porque o pássaro canta na gaiola - Maya Angelou (LINK)

RACISMO. ABUSO. LIBERTAÇÃO. A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras. Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos. Com uma escrita poética e poderosa, a obra toca, emociona e transforma profundamente o espírito e o pensamento de quem a lê.

Racismo Recreativo de Adilson Moreira (LINK)

Neste volume da coleção Feminismos Plurais, pela primeira vez, a relação entre racismo e humor é aprofundada.

Por um ponto de vista jurídico, o advogado, doutor em Direito, Adilson Moreira esmiúça os conceitos de racismo e injúria racial, explicitando o viés racista da Justiça brasileira quando sentencia que produções culturais, como programas humorísticos, que reproduzem estereótipos raciais não são discriminatórias por promoverem a descontração das pessoas. (Edição revista em parceria com a Pólen Livros)




Racismo estrutural - Silvio Almeida (LINK)

Nos anos 1970, Kwame Turu e Charles Hamilton, no livro "Black Power", apresentaram pela primeira vez o conceito de racismo institucional: muito mais do que a ação de indivíduos com motivações pessoais, o racismo está infiltrado nas instituições e na cultura, gerando condições deficitárias a priori para boa parte da população. É a partir desse conceito que o autor Silvio Almeida apresenta dados estatísticos e discute como o racismo está na estrutura social, política e econômica da sociedade brasileira.




O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um racismo mascarado de Abdias Nascimento (LINK)

Ao longo do século passado, prevaleceu a visão de que os descendentes dos africanos se encontravam, no Brasil, numa condição muito mais favorável do que a vivida pelos negros no sul dos Estados Unidos ou na África do Sul do apartheid. Mais do que estabelecida, essa era uma visão oficial: o Brasil seria uma democracia racial, um lugar em que o grande problema do negro era a pobreza e não o preconceito de cor. Foi contra essa falácia que Abdias Nascimento se insurgiu ao apresentar, no Segundo Festival de Artes e Culturas Negras, em Lagos (Nigéria, 1977), em plena vigência da ditadura militar, um texto combativo, a começar pelo título, demonstrando que a condição dos negros no Brasil não era realmente como aquela nos EUA ou na África, era pior, vítimas que são de um racismo insidioso, de uma política que conduz a um genocídio, para usar o termo do autor, que, ausente das leis e dos discursos políticos, se revela cotidianamente. Assim, a reedição de O Genocídio do Negro Brasileiro pela editora Perspectiva não é apenas uma homenagem histórica, mas a constatação de um fato: a despeito do trabalho dos ativistas e da mudança de mentalidade na academia, a situação continua inalterada. Segundo a ONU, atualmente no Brasil ocorre, a cada 23 minutos, a morte de um jovem negro. Em geral, do sexo masculino; em geral, pela ação, ou omissão, do Estado, da polícia a instituição de escolha para se lidar com qualquer questão social no país. É preciso dizer mais?

Obviamente e infelizmente, eu ainda não li todos os títulos. Ao clicar no link, você será direcionado à página da Amazon de cada título. As sinopses e imagens foram tiradas do próprio site da Amazon. Tem algum livro para sugerir? Me mande uma mensagem!

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